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NAS GARRA... O MISTERIOSO HOMEM VERDE
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HUMOR MARGINAL:

Dentre os casos mais difíceis que Brandon foi convidado a solucionar, encontra-se o do Sr. Verduliano Mc. Green, modesto funcionário público no Haiti, e que havia sido aparentemente enfeitiçado por vingança de um cidadão insatisfeito, que lançara sobre um boneco vudu uma boa quantidade de tinta verde, na presença de várias testemunhas.

Entretanto, por tratar-se de uma pessoa de traços fisionômicos comuns aos nativos daquele país, ninguém pôde identificá-lo com precisão.

E realmente, no dia seguinte, Verduliano acordou vendo tudo verde: O teto, a cama, as paredes, tudo em seu quarto estava totalmente verde!

Imediatamente, pegou o telefone verde e ligou para John Brandon, que sugeriu brilhantemente que ele consultasse um oftalmologista com a máxima urgência.

Brandon pôs-se logo a trabalhar.

Mas não havia pistas, senão um pequeno papel de bala de tamarindo que foi encontrado dentre os muitos outros pedaços de papel no local onde há uma hora atrás havia funcionado uma feira-livre.

John pôs-se a interrogar a todos os comerciantes de confeitos do local e das cidades vizinhas, até que encontrou um camelô, de aparência bastante suspeita, e que a muito custo concordou em colocar os seus registros pessoais à disposição de nosso herói.

Por esses registros foi localizada uma série de notas fiscais com o nome de um certo Mobutu Lavoisier du Papier Maché, e com base nesse nome, as imagens de satélite puderam mostrar que o tal Mobutu acabara de colocar suas impressôes digitais em mais um boneco de palha, a coisa de 148,366 quilômetros dali, salvo algum engano.

Entretanto, as coisas para Verduliano começavam a se complicar.

Sua visão estava ficando cada vez mais alterada e as coisas ao seu redor iam-se tornando cada vez mais verdes.

(O Marçelo já voltou a dar palpite, dizendo que o Verduliano poderia ter lavado o rosto. Isso é óbvio, não é, Marçelo? Mas o Verduliano não era porco, não! Foi a primeira coisa que ele fez: Lavar bem o rosto e, principalmente os olhos.)

Depois então olhou tristemente para sua verde imagem refletida em um verde espelho, pegou sua escova de dentes (verde) e escovou os dentes cum um dentifrício de clorofila.

Tomou banho (viu, Marçelo?!!!) e vestiu uma roupa verde.

(Ô Marçelo, vê se não dá palpite de agora em diante, está bem?)

Verduliano atravessou a sala verde, cheia de móveis da mesma cor, e foi tomar o seu café verde com leite verde e com pão e margarina igualmente verdes.

Logo após, procurou junto ao telefone as Páginas Verdes, onde encontrou o endereço de um oftalmologista dos olhos, especializado em Discromopsia.

(Não adianta: Já está o Marçelo outra vez querendo me corrigir, dizendo que isso é um pleonasmo. Disseram para mim que é discromopsia, ou seja, uma forma de daltonismo. Desse jeito não se pode elaborar um site em paz!...)

O tal Verduliano desceu pelo elevador verde até o saguão verde, e saudou o porteiro, também verde, de uma forma a não tornar perceptível a sua aflição:


"Bom dia! Está um belo dia, não?"

Ao que o porteiro gentilmente respondeu: "É verdade, senhor!"

Portanto, o "SENHOR V" (para não ficar repetindo Verduliano, Verduliano, Verduliano...) acenou para um taxi verde que passava, dirigindo-se rapidamente para o endereço do oftalmologista.

Era um prédio todo verde, com portas e janelas verdes e um grande elevador... verde!

O "SENHOR V" (os amigos internautas já sabem que é para não ficar repetindo Verduliano, Verduliano, Verduliano...) subiu ao nono andar.Já não conseguia ler mais nada, pois as letras eram verdes sobre fundo verde.

Ia abrindo as portas uma a uma, e não encontrava o consultório desejado. Escritório de contabilidade, Agência de Modelos e Manequins, Consultoria de informática, Oficina de joalheiro, Relojoaria, Bichinhos de pelúcia, e todos os et cetera possíveis.

Tudo, menos o bendito oftalmologista responsável pelo pleonasmo.

Aquele imenso corredor verde parecia não ter fim.

Verduliano sentia que não poderia suportar por mais tempo aquela situação.

Mais portas verdes, mais pessoas verdes, sucessivamente.

John Brandon entrou rapidamente naquele corredor.
Estava disfarçado, com um estranho traje verde, máscara verde e empunhando uma legítima pistola Walther PPK, versão especial fabricada em Taiwan, devidamente pintada de verde para estar à altura do disfarce.

O Marçelo, de repente, assim do nada, começou a gritar: "Warum ist das grün?!!! Warum ist das grün?!!! Warum ist das grün?!!!" (sei lá que diacho é isso!)
Ficou sem resposta.

Alcançou em rápidos passos o "SENHOR V" (Para não ficar repetindo Verduliano, Verduliano, Verduliano, etc.) e sussurou-lhe ao ouvido:
"Sr. Verduliano! Sou eu, o agente secreto John Brandon!"

"Sr. Brandon! Felizmente o senhor chegou. Finalmente este mistério será solucionado!"

"O senhor corre grande perigo, sr. Verduliano! As imagens de satélite mostram que..."

Mas não conseguiu completar a frase.

Do final do corredor surgiu um pequeno homem, totalmente marrom, e que corria na direção deles a passos largos, sempre olhando para trás.

O choque foi inevitável.
Por mais que tentassem manter o equilíbrio, os três foram pesadamente ao chão.

A pistola anteriormente empunhada por Brandon estava agora a aproximadamente 6,143 metros a sudoeste dali.
O Marçelinho (filho do Marçelo) acha que eram 6,183 metros a sudeste.
Tão novinho e já dá palpite!...

Aproveitando o palpite do mala infantil, o homenzinho ainda tentou fugir, mas Brandon conseguiu subjugá-lo e obter dele a terrível confissão:

"Olha, a culpa não é minha! Eu sou de uma outra estória escrita pelo Marçelo! Perdi a deixa e acabei vindo estragar justamente o final do seu mistério!..."

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